Descrição
De grande imponência e valor simbólico na malha urbana de Silves, a proposta para a Casa Vasconcelos nasce da necessidade de reconciliar dois tempos distintos: as exigências de uma habitação unifamiliar contemporânea e a estrutura arquitetónica de um edifício habitacional do século XIX, originalmente concebido para usos e modos de vida já ultrapassados.
Classificada como Imóvel de Interesse Municipal desde 22 de abril de 2010, através do Edital n.º 40/2010 da Câmara Municipal de Silves, a Casa Vasconcelos passa a integrar o património protegido da cidade, beneficiando de uma zona geral de proteção com um raio de 50 metros em torno do seu perímetro exterior.
A importância patrimonial do edifício determinou o ponto de partida para a intervenção: um olhar atento e respeitador sobre a pré-existência, valorizando a sua identidade histórica e restaurando elementos originais que o tempo — ou a ação humana — foi apagando ou adulterando. A proposta procura, assim, equilibrar a preservação da memória construída com a introdução de novas dinâmicas espaciais, funcionais e tecnológicas, capazes de responder às exigências da vida doméstica do século XXI.
A reabilitação da Casa Vasconcelos não é apenas um exercício de conservação — é uma oportunidade de reconexão entre o passado e o presente, entre o valor patrimonial e a vivência contemporânea, devolvendo à cidade um edifício icónico, agora com nova vida.
A proposta de intervenção na Casa Vasconcelos assenta numa abordagem criteriosa de conservação e restauro, com especial atenção aos elementos decorativos que conferem identidade e valor patrimonial ao imóvel classificado. Entre os elementos a preservar destacam-se os azulejos com fingidos nas fachadas principais, os pavimentos hidráulicos, os tetos em estuque trabalhado, as escaiolas com efeitos marmoreados, as guardas em ferro fundido e a distinta tonalidade avermelhada da fachada.
As novas estereotomias propostas respeitam a materialidade original da casa, recorrendo a materiais e acabamentos que dialogam com os existentes. Desta forma, assegura-se uma integração coerente entre o antigo e o novo, promovendo a continuidade da memória arquitetónica da habitação, sem comprometer a sua funcionalidade contemporânea.