Na esquina onde a Rua Aboim Ascensão se inclina suavemente para o centro da cidade de Faro, um edifício outrora esquecido ergue-se agora com uma nova respiração — familiar e fresca. A sua silhueta manteve-se fiel à memória urbana, mas foi por dentro que tudo mudou: a casa de gaveto, sólida e discreta, foi reabilitada para acolher uma nova vida — a de uma família que procurava o equilíbrio entre o passado e o presente.
A intervenção procurou respeitar a memória do lugar, trabalhando com a estrutura existente como quem escava com as mãos: com cuidado, com respeito, preservando. As paredes espessas guardaram o fresco da história, mas abriram-se generosamente à luz.
No primeiro andar, um terraço exterior inesperado revela-se como o coração ao ar livre da casa. A piscina, é um espelho de água.
Ao nível do solo, um logradouro generoso estende-se nas traseiras, meio jardim, meio pátio, um espaço que foi preservado como símbolo de memória, de permanência. Este espaço exterior funciona como extensão natural das áreas comuns, de distribuição.